Baseado na notícia "Kadhafi Ordenou tropas a cometer estupros na Líbia, diz procurador"
Você liga a televisão e vê protestos. Não só no Brasil, mas em muitos outros lugares do mundo, o espírito cara-pintada parece ter voltado com todas as forças. Jovens e velhos têm se unido para reivindicar direitos. Todo o medo consequente da ditadura parece ter sido finalmente deixado pra trás. Parece que, naquele momento que você escuta a notícia no telejornal, as pessoas estão voltando a pensar no que lhes é merecido; no que precisam e não precisam tolerar. Frentes de Mulheres, LGBTTTs, de trabalhadores e de simpatizantes de suas causas gritam e bradam em Brasília, em Washington, nas outras capitais, exigindo a conscientização alheia. Por que professores são desvalorizados? Porque uma fatia da população pensa que é isso o que eles deveriam ganhar. É, mais que tudo, uma corrida contra a ignorância. Um grito pelo pensamento, pela formação de opinião exclusiva.
Existem, no entanto, dois lados que poucas pessoas percebem: marchas que lutam por seus direitos, e contra o dos outros. Mulheres que não aceitam união civil homoafetiva e vice-versa, só para dar um exemplo, e a imposição da conscientização. É neste segundo que eu vou me detalhar.
Existem pessoas - principalmente homens, brancos, heterossexuais e de classe média, os considerados normais, que são privilegiados e amparados por todos os tipos de leis - que simplesmente preferem não pensar sobre isso. Eles têm todos os seus direitos garantidos. Por quê, pombas, iriam eles querer pensar pelos outros? Estes, quando jogados contra a parede, quando obrigados a pensar sobre tais assuntos, a definirem uma posição, geralmente rumam para o outro extremo. Tornam-se inimigos das causas, conservadores. Talvez seja tudo parte de um instinto dominador - eles estão por cima da carne seca e, para eles, é assim que tudo deve permanecer.
Assim nascem Hitlers. Pessoas perigosas, decididas a irem às últimas consequências para manter a normalidade em que eles são os privilegiados. Assim pessoas são mortas no Oriente Médio. Assim acontecem as guerras. Assim nasce a tristeza. E todo o bem trazido pelo momento instantâneo de consciência das minorias bate de frente com o mal de quem prefere ser contra um assunto que não refletiu sobre o suficiente.
Por fim: Não digo que todos os homens brancos heterossexuais de classe média são assim, só pra esclarecer.
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